Espero as férias como quem espera por uma outra vida!
Quem de nós não repetiu, nem que tenha sido em silêncio, esta frase de Rilke? Quem de nós não vislumbra um tempo que lhe permita parar, escutar e reencontrar a vida?
Aproxima-se, para alguns, o tempo de férias, com a sua característica própria de permitir interromper rotinas desenhadas ao ritmo de imposições exteriores…
As férias poderão ser, se o desejarmos, um tempo de fecundidade interior que permita repensar as nossas opções à luz das nossas convicções mais fundas, um tempo de aprofundamento da consciência de que o ser humano é um ser em construção, que tende para a unificação, um ser que é corpo espiritual, poeira das estrelas, corrente de Vida.
[cf. Manuela Silva – 2013]
As férias são a oportunidade para nos refazermos da fadiga de um ano cheio de esforços e apelos, de exigências de trabalho e de estudo, de um ano de investimentos constantes na realização de projectos queridos e assumidos.





David Kundtz, na obra “Parar quando temos de prosseguir”, confessa: Parei apenas. E pelo simples facto de o fazer, encontrei novamente o meu caminho. Foi a melhor coisa que pude fazer por mim mesmo. E só depois de o fazer, me apercebi que parar é a melhor, talvez a única forma, de tomar consciência e recordar quem sou.

Vivemos, normalmente, tensos, ansiosos… e dificilmente damos conta dos seus efeitos nefastos para o nosso equilíbrio humano. E, porque seres de relação e de unidade, a dimen-são espiritual é igualmente afetada e dói-nos o coração e a alma. Perdidos em mil coisas e ilusões, esbate-se a lucidez e a calma para recordar o sentido das nossas escolhas e tam-bém das nossas metas.
Como escreve o economista João César das Neves: Vivemos num mundo de espelhos, numa fogueira de ilusões. Consideramo-nos informados e esclarecidos…, mas nos as-suntos sérios, nas opções estratégicas e problemas de fundo, temos que admitir que estamos confusos. A única forma de enfrentar esta sociedade mediática é enfrentá-la, como a um furacão: bem ancorados nos valores superiores… escolhendo, com cuidado, as referências que nos guiam.
Na agitação dos dias, sem nos darmos conta, o vazio vai ganhando espaço dentro de nós porque necessitados de silêncio, de interioridade e de uma solidão habitada.
Leão XIV, durante o seu tempo de férias em Castel Gandolfo, não deixou de alertar o mundo para a Indústria das férias que vende todo o tipo de experiência», afirmando que o encontro verdadeiro não se compra. Todo o encontro verdadeiro é gratuito: seja o encontro com Deus, seja o encontro com os outros, seja o encontro com a natureza.

A vida é marcada por ciclos e cada evento tem o momento certo.
Há um tempo para todas as coisas: tempo para plantar e tempo para colher, tempo para caminhar e tempo para abrandar o passo…
[cf. Eclesiastes 3:1-8].
Precisamos de repousar um pouco, para estarmos à altura de contrariar o imediatismo em que vivemos e o ritmo acelerado que nos gasta e desgasta, para estarmos à altura de nos empenharmos, como artesãos, na cultura da Paz!